Open vs Closed Questions

If you’re doing any significant work at all, you should also be doing a lot of consumer research. Software development? You should be prototyping fast and early and running experience sessions. Branding? You should spend most of your time collecting information, then working some stuff out, then collecting again. Marketing? Try everything and AB test like crazy. You get the picture – nothing good will emerge in isolation, so you must have a solid information pipeline between you and your target.

It baffles me how often careful, critical, analytical professionals miss the opportunity to design their own procedures better. It’s like we have an unspoken rule that our skills are only to be used directly with whatever we’re building, not on trying to question the efficacy and improve our tools.

Now, often people focus too much on what they want to know and forget to think about how important it is to think about how they’re going to know that. Consumers are humans (I hope), and a consumer interview is a social encounter, often among complete strangers and with a lot of underlying expectations. Would you go unprepared for a blind date? Then you cannot just hope for the best here – you need to carefully plan your research sessions, for how they will be run will have a crucial effect on the quality of information you’ll get.

Most research is about asking things, so for now I’ll tackle that. When it comes to questioning users, we seem to use closed questions more often than necessary, and this kills off a lot of potential feedback, besides providing us with data which is at best meaningless and at worst misleading. Continue reading…

Bacteria and antibiotic research

A lot (but not nearly enough) has been talked about the growing problem of antibiotic resistance; and the issue is compounded by the fact that we’re not doing a very good job at developing new antibacterial medication. And indeed there’s a lot of room for improvement in research methodology, comporate priorities, research incentives, etc.

But I often get the feeling that people talk about those issues like they’re the only thing preventing us from “wining” the war against bacteria; that the threat of a bacterial apocalypse hangs over us because we’re too dumb to fight them back properly. This seems to ignore a simple, basic fact:

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O Desgraçado

Eu sou ateu.

Fico surpreso com como pessoas ao meu redor podem se surpreender com esta revelação – creio que meu “bom comportamento” e grande interesse em religião me fazem parecer um bom católico; o que eu consigo compreender.  Mas enfim: eu sou ateu.

Alguns anos atrás, a súbita descoberta do meu ateísmo deixou um colega estarrecido, e o seguinte diálogo aconteceu:

Colega: Mas você nunca sentiu a presença de Deus? Em algum lugar, em algum momento?
Eu: Não.

Este “Não” foi uma resposta rápida e impulsiva, mas a pergunta me corroeu ao longo dos próximos dias. Me fez notar que não, de fato eu nunca tinha sentido a presença de Deus, e não por falta de ter tentado.

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Proporção Inversa Ofensividade-Frequência

A lei da Proporção Inversa Ofensividade-Frequência (sim, eu inventei o nome) descreve que:

Quanto menos frequente é a ocorrência de um evento ofensivo em nosso ambiente, mais ofendidos ficamos nas raras ocasiões nas quais ele ocorre.

 

Creio que podemos observar este princípio em ação ao longo da história de forma bastante recorrente e confiável, seguindo o roteiro:

  1. um hábito era amplamente aceito em uma sociedade;
  2. a sociedade avança de forma que, subitamente, o hábito se torna obsoleto e desnecessário;
  3. um número progressivamente maior de pessoas deixa de praticar o hábito;
  4. os indivíduos não-praticantes repudiam fortemente os que ainda praticam.

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Física em Interstellar

Interstellar é muito interessante e  provocante – você certamente fica pensativo sobre; seja pelos aspectos fascinantes da física quântica demonstrados, seja pelo drama, ou ainda pelo realismo pertubador do cenário “apocalíptico” da Terra.

Como em todo filme de ficção científica, os nerds de tocaia rapidamente irão apontar as imprecisões científicas dele. Vou contribuir com minha parte – mas resumidamente:

O filme é muito bem embasado cientificamente. No máximo, ele exagera ou omite uma coisa ou outra pelo bem da narrativa.

 

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Jogos, Sexismo e GamerGate

Existem um monte de pessoas sexistas na internet que ficam por aí atacando mulheres? Sim.
Algumas destas pessoas se designam como parte do GamerGate? Sim.
Em função disso, gamers e sua comunidade são em geral sexistas? Não, pelo menos não mais que todo mundo.

Gamergate é uma controvérsia/movimento sobre sexismo, agressão e corrupção jornalística na cultura de jogos. Recentemente, após um período de relativo silêncio, a deselegância com membros femininos da comunidade tem recomeçado. Isso acaba gerando uma impressão bastante negativa sobre a comunidade de jogadores, e muito tem sido dito sobre isso. Não é minha intenção negar a existência dos problemas, ou desprezar suas consequências ou a indignação ante estes; mas acho que a natureza demográfica dos gamers diz mais sobre suas predisposições sexistas do que estes episódios específicos.

Jogos não são mais ofensivos ao feminismo do que livros ou filmes; e são tão populares atualmente que qualquer tentativa de generalização – “gamers são X” é o equivalente de dizer “pessoas são X”. Neste caso sim, boa parte das pessoas é sexista; logo, gamers o são. Na verdade, possivelmente são um grupo menos sexista que a sociedade em geral, por ser bem dividido sexualmente (52/48% homens/mulheres), e mais jovem que a população em geral. Há uma correlação forte entre idade e feminismo (mais do que com gênero – ou seja, homens jovens são mais feministas que mulheres de meia-idade), então acho bem seguro dizer que o “gamer médio” é menos sexista que a “pessoa média”.

De fato, isso é atestado pela polêmica gerada por estas questões sexistas – gamers tendem a ser mais ofendidos por elas do que o público em geral.

Jogos também tem uma chance bem mais razoável de utilizarem personagens femininos adequadamente. A esmagadora maioria dos filmes falha no Bechdel Test, mas um número razoável de jogos passa; e alguns até possuem protagonistas femininos. Além disso, como jogos não necessariamente são narrativos, é fisicamente impossível que alguns sejam sexistas – certamente Journey, Demon’s Souls ou Tetris não passam no Bechdel Test, mas isso não me parece uma preocupação válida.

Para mais informações demográficas sobre gamers, recomendo este documento.